
Marco Pigossi, de 33 anos, se assumiu gay no ano passado, dizendo que levou seu tempo porque “tinha muito pânico de qualquer coisa acontecer“. O ator lembrou que a falta de referências na mídia o deixava em um lugar solitário e, durante muito tempo, escondeu a orientação sexual para se preservar emocional e artisticamente.
“Sempre usufruí desse ‘privilégio do armário’, as pessoas não sabiam. Me descobri gay muito cedo e veio uma fama muito grande para mim também. Eu era conhecido, mas tinha o peso da coisa do armário. E tinha a coisa do galã. Então, sair do armário, para mim, não era para minha mãe e para os meus amigos. Era para milhões e milhões de pessoas”, lembrou o ator em conversa no podcast “Calcinha Larga“, do Spotify. “Isso tomou uma proporção tão grande… E me escondi dentro desse privilégio, dentro desse armário, por muitos anos porque eu não tinha condição, tinha muito pânico de qualquer coisa acontecer. E isso envolve a minha carreira também. Não é que ‘ai, vou sair do armário mas ali no meu escritório de advocacia ninguém sabe’, entende? Era uma coisa que era nacional“, explicou ele.
O receio principal era que, se as pessoas soubessem a respeito de sua sexualidade, seu trabalho poderia ser interpretado como “não crível“. “Uma frase muito replicada na época era que se as pessoas sabem que você é gay, elas não vão acreditar nos seus personagens, se eles se apaixonarem por uma mulher. As pessoas vão ver em casa e vão falar: ‘Ah, ele gosta de homem, não acredito nisso’. Isso era o que era falado, o que era exposto“, afirmou Pigossi.
Ele comentou que, antes de se assumir gay publicamente, não haviam muitos colegas de profissão para serem suas referências: “Se eu tivesse alguém em quem me espelhar, teria sido muito mais fácil. E se eu conseguir tocar pelo menos uma pessoa com o meu movimento, pô, já estou no lucro”.
Via Pheeno